
Minha vida toda sempre pareceu um balanço, daqueles de parquinho mesmo.
Quando você é criança, seus pais precisam te dar o impulso necessário, pois você não alcança o chão. Mas você sempre será parado por eles, nunca por você mesmo. E ao cair, eles te ajudam a levantar e enxugam suas lágrimas.
Quando se é mais velho, você começa a se impulsionar, fica naquela expectativa, e o vento quase não alcança seu rosto. E de repente você se vê indo pra frente e pra trás numa viagem alucinante, em que o tempo não importa e você só quer sentir o vento se chocando fortemente em sua face, normalmente com um sorriso no rosto, vendo que nada pode te impedir e que você pode cair a qualquer momento, mas que nada mais interessa naquele segundo.
E quando você vai parando aos poucos, percebe que aquele momento acabou, como todos os outros. Sua 'vida' estanca de uma maneira terrível e você se vê parado, sentado no mesmo lugar. No mesmo lugar onde aquele pingo de adrenalina pulsava.
Momentos bons da vida precisam ser impulsionados. Mas a vontade de fazê-los acontecer vai esvaindo-se de mim pouco e pouco e logo, o que apenas restará é um balanço vazio, onde nem o vento tem ação sobre.

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